domingo, 22 de março de 2009

Sobre fanatismo

Quem me conhece sabe que sou muito bem humorada... Às vezes até demais. Do tipo que perde o amigo, mas não perde a piada... Rir é bom demais, por que perder uma oportunidade? :D

Mas tem certas coisas que conseguem me irritar. Uma delas é o fanatismo, a obsessão, independente da sua forma, origem ou foco.

O fanatismo religioso eu acho um porre. Tenho minhas crenças, respeito as crenças de todo mundo e, portanto, quero que respeitem as minhas também. Se um dia eu tiver que mudá-las, certamente não será por conta de alguém que bateu na minha porta pra me convencer de que o Deus dele é melhor do que o meu. Então, cada mico-leão-dourado no seu galho, e todo mundo fica feliz. 

Mas, embora me irrite, não acho que esse seja dos piores. Porque penso que o que leva uma pessoa a chegar a esse ponto é a necessidade e a esperança de que a vida vai melhorar. Ela acredita num Deus que vai salvá-la do sofrimento. Do meu ponto de vista, assim como todo fanatismo, é uma forma de fuga da realidade, mas acho que os fanáticos religiosos pelo menos se apegam a algo "abstrato". O conceito de Deus ou de qualquer divindade equivalente é pessoal e intransferível, e por isso esse Deus pode ter infinitas formas, vai de cada um. Acho que é muito pior se apegar a algo real, palpável, visível, mas que, ao mesmo tempo, é inatingível.

Refiro-me ao fanatismo que pode nascer da relação fã-artista. Conheço muita gente que nem gosta do termo "fã", creio que justamente por remeter a esse tipo de comportamento, meio louco, obcecado. Acho que ser 'apaixonada' pelo ídolo é normal quando se é adolescente, quando ainda não se tem uma noção exata do mundo e da realidade. É normal nessa fase, tão confusa, projetar numa pessoa famosa tudo aquilo que se considera legal em alguém; mesmo porque, é justamente o que todo artista tenta passar na frente das câmeras, a noção de que é uma pessoa legal, de bem, simpática, feliz, saudável, enfim... O que nem sempre é verdade.

Mas o que as pessoas tendem a esquecer é que todo artista, antes de ser artista, é ser humano. Ser artista é ter uma profissão como qualquer outra, a diferença é a fama. Mas artista também rala, tem conta pra pagar, fica doente, de mal humor, sente fome e cansaço, como todo mundo. Ou seja... nenhum artista é melhor do que ninguém, só porque é famoso.
 
Maaas, fugi do foco, o ponto não é esse. O ponto é que tem gente que se deixa levar tanto pela admiração que sente pelo artista, que se perde e passa a viver uma fantasia. Aí mora o perigo; e a fonte da minha irritação. Porque quando a pessoa chega nesse ponto, e acha que pode ler os pensamentos do ídolo, que sabe tudo que ele pensa ou sente, que tem CERTEZA dos motivos que o levaram a agir assim ou assado... Aí, do meu ponto de vista, tem-se um problema. E, meu (paulistanês), como isso me é irritante. De verdade.

Tenho cá meus "ídolos" também, é claro. Admiro o trabalho de muita gente, uns mais do que outros, mas tenho os dois pés no chão. Tive a oportunidade e a sorte de ter uma aproximação um pouco maior com uma dessas pessoas (o que definitivamente não significa que sejamos amigos). Nos falamos numa boa, ele é um cara excepcional, que sempre me recebe de braços e coração abertos, conversamos e rimos bastante, mas eu sei que não somos amigos, no sentido literal da palavra. Também não tenho fotos dele espalhadas pelo quarto ou pela minha mesa no trabalho, ele não é o papel de parede do meu computador, não faço idéia do que ele faz nas horas vagas, não sei o que ele pensa sobre o Obama, o Lula e a crise, nem o que ele pensa a meu respeito. E nem perco tempo fazendo elucubrações sobre isso. ADORO o trabalho dele, ele sabe disso, e aprendi a admirá-lo também como o ser humano que ele é (e ele também está ciente disso). E ponto. Não tenho fantasias com ele, não me imagino casando com ele, nada disso. Uma das primeiras coisas que fiz, depois que passei a falar com ele com uma certa 'frequência', foi tirá-lo do pedestal. Sim, ele é uma pessoa famosa. Sim, eu o acho lindo. Mas sim, e PRINCIPALMENTE, ele é gente como eu e, portanto, é assim que vou tratá-lo sempre que nos encontrarmos. Com carinho, bom humor, e, acima de tudo, com respeito. Mas não com formalidade ou adoração.

Admiro quem vive nesse meio, porque imagino que ser famoso não deve ser fácil. O que deve ter de gente maluca, fanática, que acha que tem direito de cobrar um posicionamento do artista com relação a si... Faz parte, mas quando penso nisso... Haja paciência, hein? 

- m -


Um comentário:

  1. Milena,querida.Você sabe muito bem que eu concordo contigo em todos os sentidos. Infelizmente, o que não faltam são pessoas que se encaixam neste perfil e que não se dão conta do quão mal estão fazendo a si mesmas, vivendo numa realidade que não é a sua.E o pior: ainda conta com pessoas que acham isso tudo tão natural, ao invés de fazê-las, como diz um péssimo comunicador daqui,mas que,neste ponto,não tiro a razão dele, "acordarem para a vida e colocarem o pé no chão".

    Beijos!Parabéns pelo texto!

    ResponderExcluir