Acho que a maturidade traz um pouco disso. Hoje, aos 31, sou muito mais feliz do que era há 10 anos. Talvez porque agora seja mais segura, porque agora sei exatamente onde quero chegar e o que tenho que fazer pra isso, porque sei o que quero e o que não quero pra mim, sem dúvidas. Quando tinha 20 e poucos, eu achava que sabia. Olhando pra trás, agora vejo que não sabia de nada... Hoje eu sei.
Tudo isso me veio à mente semana passada, quando precisei visitar um lugar onde estive pela última vez há exatos 9 anos: a Fatec, onde me formei em processamento de dados, em agosto do ano 2000. Teria sido uma visita qualquer, puramente burocrática, e nada disso teria me passado pela cabeça se os quatro anos que passei lá dentro, de 1996 até 2000, não tivessem sido os anos em que eu mais cresci, me vi mudar e literalmente senti essas mudanças, em praticamente todos os aspectos. Vivi muita coisa nessa época. Conheci aquele que, durante muito tempo, julguei ser o amor da minha vida (me enganei feio...). Aprendi coisas que nunca mais usei, e outras que trago comigo até hoje, mesmo depois de ter abandonado a profissão que comecei a desenvolver lá dentro. Convivi diariamente com pessoas que me ensinaram tanto e nunca tiveram noção disso - e ainda não têm.
É, me divorciei da informática como profissão. Agora, tento um lugar ao sol como tradutora e, por isso, estou mais uma vez frequentando as cadeiras universitárias (pela terceira vez, depois de uma graduação e de uma pós na área de TI!). Foi por essa razão que voltei à Fatec semana passada: para conseguir dispensa de uma das disciplinas, precisava entregar à minha atual faculdade o conteúdo programático de algumas matérias que cursei. Não tinha outro jeito, senão ir até lá pessoalmente.
Quando cheguei, perto da hora do almoço, logo vi que a entrada, que antes era pela porta principal do velho edifício Santiago (que um dia foi da Poli), mudou. Agora é pela frente do auditório, na av. Tiradentes. Senti uma pontada de nostalgia quando entrei no prédio e segui na direção da secretaria.
Então lembrei que a Fatec, ora, é um órgão público! E qual é o órgão público que não tem uma séééérie quase infinita de burocracias? Pois é... A funcionária me deu um formulário e me orientou sobre como proceder para pegar as cópias dos papéis de que precisava. Saí para seguir essas orientações e fui andando devagar, olhando. O Santiago está em reforma. Agora, existe um laboratório bem no centro do andar, em frente à biblioteca, que passou por um belo processo de modernização. Fiquei me perguntando se meu TCC ainda estaria lá... De acordo com o site da faculdade, está! :)
Segui em direção ao pátio, que naquela hora estava cheio de alunos, uns chegando e outros saindo... Vivi bem isso, já que estudei de manhã. Notei que lá pouca coisa mudou... Fora um canteiro central, com algumas árvores, e a posição dos bancos de praça que ficavam colados ao prédio "novo" dos blocos A e B, o resto continua tudo exatamente igual. Inclusive essa placa:

... que, a julgar pela situação da parede, já estava lá muito antes de eu entrar na faculdade, haha! =D Essa placa fica em um lugar próximo de onde eu costumava me reunir com a minha turma nos intervalos entre as aulas. Por isso não resisti à foto.
Quando cheguei à "xerox da Fatec" ("fica ali, sabe, do lado da banquinha de livros?" a funcionária me falou. Eu nem me lembrava mais da banquinha...), soube que a informação que me deram estava errada. Voltei novamente à secretaria, a mesma funcionária corrigiu a informação e lá fui eu de novo, direto para a...

... Lojinha da Fatec. E não é que a indicação da lojinha também continua lá, firme e forte, do mesmo jeitinho?? Mas, para a minha completa falta de sorte, a lojinha estava fechada para o almoço. Como eu dependia dela, não me restou outra alternativa, senão escolher um canto pra sentar entre os alunos e esperar o horário de almoço terminar.
E foi durante essa quase uma hora que passei ali que pensei em tudo isso. Andei um pouco pelo campus e depois fiquei em um dos lugares em que passava mais tempo com a minha turma, só observando a movimentação dos alunos, ouvindo em outras vozes palavras, perguntas, que um dia também foram minhas ("você foi bem em cálculo?"). Vi que a grade horária das disciplinas ainda é impressa e divulgada exatamente do mesmo jeito, vi que a cantina do Centro Acadêmico ainda existe no mesmo lugar, em uma das salas que chamávamos de "calabouço" (corria o boato de que as salas que abrigam o CA, a mini papelaria, a xerox, a doceria, eram locais de tortura e prisão de escravos!), que os blocos A e B, que no meu tempo estavam sendo inaugurados e ainda tinham cheiro de móveis novos, ainda mantêm as cadeiras cor de laranja nos mesmos lugares no saguão de entrada e perto dos orelhões - e, putz, até os orelhões ainda são os mesmos! Vi caras que poderiam perfeitamente ser Adrianos, "Marcões", Andrés, Emersons, Wagners, e me vi em algumas moças que estavam entre eles. Naquela época, eu tinha muita amizade com o pessoal de outras turmas; e Fatec é isso, muito mais rapazes do que meninas. Lembrei de quantas vezes me vi matando aula naqueles bancos de praça, curtindo preguiça e jogando conversa fora com os meninos... Adriano, Marcão (Dalóóóó!), André, Emerson, Wagner, Marcinha, Renata, Sabrina... Muitas saudades, muitas, muitas mesmo. Uma pena que o tempo e a vida tenham nos afastado.
Penso na pós graduação que terminei em 2006 e no curso que estou fazendo agora, e me pergunto se daqui a alguns anos vou me sentir da mesma forma com relação a esses lugares. Não acredito, sinceramente. A Fatec foi a primeira faculdade, quando tudo ainda era tão novo... E numa época em que celular era coisa de gente com muita grana, a internet ainda estava engatinhando, e ter um computador em casa era raro. Visitar esse lugar mexeu bastante comigo, trouxe muitas memórias de volta... Mas foi muito bom. Melhor ainda é sentir que, apesar de hoje não exercer mais a profissão, os quatro anos que vivi ali não foram em vão.
Ao fundo, o bom e velho Santiago (pra nós, simplesmente "S"). À minha direita a "banquinha de livros" e, à esquerda, o prédio "novo" dos blocos A e B.

Oi Milena,
ResponderExcluirAmadurecer é isso mesmo. E recordar é viver. Pode parecer chavões batidos mas é a pura verdade. Outro dia também estive em minha faculdade e as lembranças vieram feito rolo compressor. Foi muito bom. Parabéns por mais esse novo curso. Aprender novas coisas, habilidades faz parte de nosso crescimento. Coitado daquele que para no tempo e no espaço.
Ou, aquele que acha que já aprendeu tudo.
Bjs
Valeu, Rose! E é isso mesmo... Quem acha que já aprendeu tudo é quem mais precisa crescer, né? Beijos!! :)
ResponderExcluirOi Milena! Não sei se já conhece a história dos selinhos ganhos de outros blogs. Recebi um e repasso a você. Passa lá no meu blog pra pegar.
ResponderExcluirBjs