Primeiro as apresentações, pra quem ainda não conhece. Esse carinha da foto aí em cima, de focinho marrom e olhos cor de mel (embora não dê pra ver), é o Horácio.
E esse aqui embaixo é o Floquinho.
São meus cachorros. O Horácio tem 8 anos, mas às vezes se comporta como se ainda fosse um filhote. Já o Floquinho se comporta de acordo com a sua idade de idoso (11 anos), e é até um pouco ranzinza.
São meus cachorros. O Horácio tem 8 anos, mas às vezes se comporta como se ainda fosse um filhote. Já o Floquinho se comporta de acordo com a sua idade de idoso (11 anos), e é até um pouco ranzinza.
Quem tem cachorro sabe que às vezes eles fazem coisas que nos deixam boquiabertos. Deve ser mais ou menos a mesma sensação que dá quando os pais observam os filhos pequenos descobrindo o mundo, os objetos, as palavras, e fazem coisas no mínimo muito engraçadas. Essa semana o Horácio aprontou uma desse tipo.
Eu não presenciei, mas assim que cheguei em casa fiquei sabendo que minha avó, no meio da tarde, havia dado um pedacinho de pão para cada um. O Horácio, esfomeado e afobado, engoliu a parte dele em menos de dois tempos. O Floquinho, mais devagar, recebeu, levou pra cama dele e ficou fazendo hora pra comer, curtindo aquele pedaço como se fosse um brinquedinho. O Horácio, percebendo, quis tomar uma, duas vezes, mas não conseguiu, levou um chega pra lá. Então, segundo minha avó, que estava assistindo tudo, ele ficou por ali... Rodeou... Rodeou de novo... mas não avançou mais, só ficou por perto. Então, de repente, ele se virou para a porta que dá no quintal e estava aberta naquele momento, olhou pra fora e deu um - único - latido. O Floquinho, alerta, prontamente se levantou pra ir ver o que estava acontecendo e... o Horácio foi até lá e pegou pra ele o pedaço de pão que ficou esquecido na cama. Quando o Floquinho voltou da 'vistoria' no quintal, onde não havia absolutamente nada, a cama era o lugar mais limpo. Imagino que se o Horácio pudesse falar, ele diria algo como "Perdeu, playboy!"
Depois que ouvi a história, primeiro desacreditei. Achei de uma inteligência sem tamanho pra um cachorro 'montar uma estratégia' pra enganar o outro, com o objetivo de roubar um pedaço de pão. E conseguir!! Nós, obviamente, nunca ensinamos esse tipo de coisa pra ele... Aliás, será que tem como ensinar? Depois, acreditei; do Horácio, que já aprontou tantas outras tão surpreendentes quanto essa, espero qualquer coisa. Olhei pra ele sem saber se sentia orgulho ("cara, como meu cachorro é inteligente! Ele fez isso SOZINHO!") ou se ria ainda mais. Chamei e ele veio, olhando pra mim com a maior cara de inocente. De novo, imagino que se ele pudesse falar, nosso diálogo naquele momento seria algo como:
- Horácio, como você faz uma coisa dessas com o seu irmão?? Que feio!! (eu disse isso. Mesmo.)
- Mas o que foi que eu fiz????? (a cara dele era de um cinismo encantador)
Pra mim isso é tão cachorro de história em quadrinhos! Sei lá, imaginei o Bidu do Mauricio de Sousa enganando o Bugu ou o Rúfius, o cachorro mais brabo da rua. Muito surreal!
Ia contar só essa, mas tem outra que eu adoro:
Há algum tempo minha mãe recebeu umas senhoras em casa, à noite. Depois de acomodadas na sala, o Horácio 'escolheu' uma delas, que havia se sentado em uma das pontas do sofá, foi lá e apoiou a cabeça nos joelhos dela, em silêncio, só olhando pra senhorinha, que não resistiu àquele focinho marrom e lhe fez um afago. Satisfeito, ele saiu e foi para a senhora que estava sentada ao lado da primeira (a "próxima") e fez a mesma coisa: em silêncio, apoiou a cabeça nos joelhos dela e ficou olhando. Ganhou o carinho. Ele repetiu a mesma coisa uma a uma, sempre ganhando um afago na cabeça. Quando chegou na última, ela não fez nada; deixou que ele ficasse ali, mas mal olhou. Ele esperou um tempo; percebendo que o afago não viria, não se fez de rogado: latiu! A mulher, rindo, fez o carinho e ele se afastou, indo se deitar na cama dele ("Agora sim! Que mal educada!", ele talvez pensasse). Minha mãe conta que a risadaria na hora foi geral.
Uma vez li em uma revista que, de acordo com pesquisas recentes, os poodles são a segunda raça mais inteligente entre os cães, ficando atrás apenas dos border collies. O Horácio que o diga.



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