Cães sempre fizeram parte da minha vida. Quando eu ainda era muito pequena, antes dos 4 anos de idade, passava a maior parte do tempo com meus avós maternos, já que meus pais trabalhavam. Minha avó tinha um pequinês bonito, todo caramelo... O Pink. Ele era irritadinho, não fazia o tipo carente, não gostava muito de afagos. O que ele gostava mesmo era de uma girafa de borracha, seu brinquedo favorito. Sempre a carregava de um lado pro outro (pelo pescoço, naturalmente). Mas ele era mesmo meio bravo, e me mordeu algumas vezes, sempre no mesmo lugar: o dedão do pé! Aí lá vinha meu falecido e tão amado avô, com um rolo de fumo pra colocar na ferida, coisa que, segundo ele, era tiro e queda pra sarar. Não sei se tem algum fundamento científico, mas enfim... O curioso é que mesmo tendo levado essas mordidas, nunca tive medo de cachorro.
Depois que minha irmã nasceu, minha mãe decidiu abandonar o emprego. Nos mudamos pra uma casa maior, e aí vieram os tantos Rexes, Lulus, Tobys, Billys, e todos os outros nomes pouco criativos e comuns que se dá normalmente para qualquer cachorro. Geralmente eram vira-latas mesmo, mas chegamos a ter um fila, que precisou ser doado antes que fizesse mais estragos nas nossas roupas e nos móveis. Depois de cada separação, minha mãe sempre dizia que não queria mais cachorro nenhum dentro de casa, mas menos de um mês depois, lá estava o próximo...
Um dia meu pai chegou em casa com uma caixa de papelão e um cachorrinho minúsculo dentro; era quase um ratinho de tão pequeno. Ele não queria que nós o víssemos, porque sua intenção era dá-lo para outra pessoa, mas ah... quando eu, minha mãe e minha irmã, pusemos os olhos naquela coisinha, foi inevitável. Falei pro meu pai arrumar qualquer desculpa, mas ele já era nosso. Foi assim que o Bobby chegou nas nossas vidas.
Ele era uma mistura de chihuahua com pinscher - daí o tamanho minúsculo. Pra piorar, da sua ninhada, ele era o que tinha nascido mais fraquinho; a dona tinha certeza de que ele morreria. Mas nosso carinho e nosso cuidado foram tantos, que ele logo se recuperou e cresceu (na medida do possível, haha!), forte e saudável.
Bobby foi o cachorro mais inteligente que tivemos. Ele tinha uma capacidade incrível de nos entender, e nunca nos deu trabalho, nunca mordeu ninguém... Adorava um colo, um afago, que ele pedia sem a menor cerimônia. Não havia quem não se encantasse com ele.
Mas, a idade foi chegando e com ela vieram algumas doenças. A saúde dele foi ficando frágil e nós, cada vez mais preocupados. Por causa de uma inflamação que, segundo os veterinários, causavam dor, ele precisou ser operado. O veterinário nos alertou que seria uma cirurgia de risco, afinal de contas ele tinha outros problemas e já estava com 10 anos de idade. Pra nossa alegria, ele sobreviveu à operação e voltou pra casa. Mas, alguns meses depois, acabou falecendo, de velhice.
Foi horrível, sofremos muito. Minha mãe mais uma vez repetiu o mantra do 'não quero mais cachorro, nos apegamos muito', mas já era tarde demais; o Floquinho, o poodle branco mais lindo do mundo, já era parte da família. E continua sendo!
O Floquinho hoje está com 8 anos. Dois anos depois da chegada dele, veio o Horácio, também um poodle, mas não totalmente branco, meio caramelo, do focinho marrom e os olhos cor de mel, lindo, lindo, lindo. Confesso que é o xodó da casa; apesar de ser muito mais arteiro, desobediente e bagunceiro, ele é também muito mais carinhoso do que o Floquinho. Mas ambos são uma fonte inesgotável de alegria para mim.
A matéria da revista Claudia, que reproduzi no post anterior, ilustra apenas o mínimo do que a convivência com os cães pode nos proporcionar.
E o vídeo abaixo ilustra bem o quanto eu amo esses animais.
"Os cães são o nosso elo com o paraíso. Eles não conhecem a maldade, a inveja ou o descontentamento. Sentar-se com um cão ao pé de uma colina numa linda tarde, é voltar ao Éden onde ficar sem fazer nada não era tédio, era paz." (Milan Kundera)
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Nunca pude ter cachorro, minha mãe nunca deixou (morando em apê,fica difícil),mas imagino o bem q ele faz para qq pessoa. Os bichos, em geral, só nos ensinam coisas e, em troca, só querem carinho, atenção, cuidado e proteção.
ResponderExcluirBeijos!