Há tempos aprendi (a duras penas, confesso) que um dia tudo acaba. Nada nessa vida é eterno... E, como sabiamente alguém já disse, a única coisa imutável que existe é o fato de que tudo muda.
Pra mim, um ciclo acaba de se fechar. Um ciclo que começou há quase 20 anos, com um sonho... Um sonho de adolescente, de ir longe, de sair do país, de crescer. Mas fui uma adolescente ingênua, e não levei em consideração pontos importantes, como minha vocação, meus dons. Eu só queria ir longe; e fui atrás de realizar esse sonho.
Concluí a faculdade, logo ingressei na área, sem grandes dificuldades (na segunda metade da década de 90 as coisas eram beeem diferentes...). Passei por inúmeras empresas, conheci muita gente, viajei, aprendi muito. Cresci, sim (e como!). Tive o privilégio de nunca ficar sem emprego, sem que fosse isso uma opção minha. Sempre fui motivo de orgulho para os meus pais por isso. Tive momentos muito bons, e momentos muito ruins ao longo da minha carreira profissional e, pensando nisso agora, olhando para trás, desde o meu primeiro estágio, no departamento de suporte técnico e infra-estrutura de uma empresa aérea que nem existe mais, afirmo que o saldo foi positivo. Foram 12 anos de muito aprendizado, um aprendizado que vou levar comigo para o resto da vida.
Mas agora, sinto como se estivesse diante do fim de um relacionamento afetivo. A relação se desgastou, o amor acabou... E quanto mais eu insisto, mais sofro.
Há algum tempo penso em desistir da área. Já fiz isso uma vez, uma tentativa louca e sem o mínimo de preparação e planejamento que, obviamente, não deu certo. Agora, bem mais madura, sei onde errei e estou me preparando e me planejando pra isso não é de hoje. Mas apesar disso e apesar de acreditar que estou indo pelo caminho certo agora, o fim me assusta. É uma mistura de sensações: alívio, medo, preocupação. Imagino um anjinho e um diabinho, um em cada ombro. O diabinho diz 'ande, arrisque-se, jogue logo tudo pro alto, mande-os todos para mim (o inferno!)'... Enquanto o anjinho diz 'pense bem, seja paciente... você já aguentou coisas piores... vai passar... não desperdice seu conhecimento, PENSE NO SEU SALÁRIO...'
Sim, o dinheiro pesa, CLARO. Mas, colocando racionalmente na balança, apesar de saber que esse aspecto da minha vida vai mudar e muito (pelo menos no começo), é um preço que não tenho medo de pagar. Sempre trabalhei menos pelo dinheiro e mais pela satisfação pessoal. Já saí de empregos pra ganhar menos, porque acreditava que a compensação profissional seria muito maior. E foram mesmo. Até agora...
Como disse, a sensação de término me entristece... Mas estou convencida de que é uma mudança necessária. Já chorei enquanto o planejava, e sei que muitas outras lágrimas virão. Estou abrindo mão de coisas muito boas, da companhia de pessoas por quem tenho profundo carinho e respeito, das piadas, dos risos, dos almoços e cafés na Oscar Freire, do bairro (Jardim América, outro mundo, outra realidade), de tomar café da manhã cedinho no dia do rodízio na deliciosa Galeria dos Pães... Pequenas coisas que tornaram este último um ano e meio mais leve.
Um novo caminho se abre diante de mim. Quero estar inteira nele, trilhá-lo com calma, em paz, com segurança... mas, principalmente, feliz.
- m -
Nenhum comentário:
Postar um comentário