terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Carnaval? Não, obrigada.

É, não gosto de carnaval. Na verdade, pra mim existem dois "carnavais" na mesma época: um é o das escolas de samba, dos desfiles, que mobilizam milhares de pessoas que dedicam suas vidas às escolas do coração, e dão o máximo de si pra fazer bonito na avenida. Essa festa eu acho legal, acho bonito. Não tenho uma escola favorita nem passo a noite inteira assistindo, mas acho legal. O outro é o das pessoas que acham que "no carnaval pode tudo". E não, não pode.

Nunca esqueci o ano em que fui pra praia com uns amigos e, num fim de tarde, estávamos eu, minha irmã e um amigo caminhando no calçadão quando um desses tipos, que vinha de turma, ao se aproximar de nós simplesmente atirou uma bexiga com água diretamente no rosto da minha irmã, saindo às gargalhadas com a turminha dele. Não vi a menor graça na brincadeira. Fora o susto óbvio, de nós três, minha irmã não se machucou, mas ela estava usando lentes de contato naquele momento. E se tivesse acertado no olho? E se tivesse qualquer outra coisa naquela bexiga que não fosse água? O impacto do estouro da bexiga no rosto dela deixou um vergão que depois sumiu, mas eu, que já não gostava muito de carnaval, passei a detestar. Afinal de contas, quem foi que disse que aquele cara poderia fazer isso? Onde está escrito, quem falou que, porque é carnaval, as pessoas podem sair pela rua fazendo o que bem entenderem, incluindo atirar coisas nos outros gratuitamente?

Pra aumentar ainda mais o meu desgosto, na mesma viagem, estávamos uma noite tentado chegar ao centrinho da cidade, no meio de um trânsito digno de 23 de Maio, quando a molecada veio... Eles jogavam spray de espuma nos carros, nas pessoas, se jogavam sobre os carros, batiam no capô, balançavam como se fossem virar... E todo mundo achava tudo muito divertido.

Pra mim isso não é carnaval, é vandalismo. Jogar qualquer coisa no rosto de alguém que está andando tranquilamente na rua é agressão. E nada disso é divertido. Por isso, daquele ano em diante, carnaval pra mim virou sinônimo de descanso. Se for viajar, vou pra onde ninguém mais for, pego sempre o sentido contrário da maioria. Uma vez passei os 4 dias em um spa no interior, longe de tudo e de todos, só relaxando... Voltei outra, e com direito a estrada livre na volta...

Nunca fui fã de muvuca, multidão, barulheira, admito. Mas se todo mundo olhasse pro carnaval como o pessoal das escolas de samba, como as pessoas que só querem mesmo comemorar, extravasar, esquecer dos problemas, fazer graça se fantasiando, sem agredir, sem ultrapassar limites, o carnaval seria muito mais divertido e menos traumático, pra muita gente.

Festa, sim; falta de limites, não.

- m -

Um comentário:

  1. Oi Milena,
    Concordo com você. Já fui foliona, pulei muitos carnavais mas, quando a coisa começou a mudar e virar puro vandalismo, pulei fora. Hoje, curto a paz, o descanso, uma boa leitura e, como você, vou sempre em sentido oposto.
    Bjs

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